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sexta-feira, 26 de abril de 2013

O cão de Mozart e Hachiko


"Wolfgang Amadeus Mozart, grande compositor clássico, nasceu no dia 27 de janeiro de 1756, em Salzburgo, na Áustria. Extremamente importante, esse compositor do século XVIII, é considerado como um dos músicos mais famosos. Foi em Paris, quando Wolfgang tinha sete anos, que suas primeiras obras publicadas apareceram.

Mozart teve vários anos de glória, sendo reconhecido por reis e rainhas de toda Europa. No entanto, nunca soube lidar com dinheiro. A exploração de sua bondade e genialidade musical logo surgiria por parte de grandes oportunistas. Já casado, começou a ver sua vida desmoronar. A mulher, abandonou-o. A mãe, que tanto amava, adoeceu gravemente. Mozart, sem dinheiro, vendia composições em troca de remédios para sua mãe, que faleceu após alguns meses. Triste e desiludido, Mozart caiu enfermo.

O único amigo fiel, seu cachorro, foi quem ficou ao seu lado até o dia de sua morte, em 5 de Dezembro de 1791. Mozart foi enterrado numa vala comum, em Viena. Sua mulher, Constanze Weber, que estava em Paris, ficou sabendo da morte de Mozart e partiu para Viena afim de visitar o túmulo do marido. Ao chegar lá, entrou em desespero ao saber que Mozart havia sido enterrado como indigente, sem que lhe dessem nem uma placa com seu nome como lápide.

Era dezembro (inverno europeu), fazia frio e chovia em Viena. Constanze resolveu "vasculhar" o cemitério à procura de alguma "pista" que pudesse dizer onde Mozart fôra enterrado. Procurando entre os túmulos, viu um pequeno corpo, congelado pelo frio, em cima da terra batida. Chegando perto reconhece o cachorro querido de Mozart.

Hoje, quem visitar Viena, verá um grande mausoléu, onde está o corpo de Mozart e de seu cachorro. Foi por causa do amor desse animal de estimação que Mozart pode ser achado e removido da vala comum onde fôra enterrado. Ele permaneceu com seu dono até depois do final. Morreu junto ao tumulo de seu dono porque, sem ele, não poderia mais viver. "

Caros amigos dizem que essa história emocionante sobre a lealdade do cão para com seu dono seria uma lenda. Mas posso citar um fato tão enusitado e curioso que aconteceu no Japão, na cidade de Odate em 1923 que inspirou um filme chamado "Para sempre ao Seu Lado." Na verdade 1923 é a data de nascimento de Hachiko, um cão da raça Akita, que pertencia a Hidesaburo Ueno.

O Sr.Ueno trabalhava distante de sua casa, tendo uma rotina diária que incluia uma viagem de trem. O que o tornaria diferente dos outros passageiros era que ele sempre chegava a estação de Shibuya acompanhado de seu amigo Hachiko. E na hora de seu dono retornar para casa, lá estava Hachiko na estação esperando pelo desembarque.

Mas o que tornou esse cão tão especial é que, mesmo após a morte de seu dono, em 1925, Hachiko voltou à estação de trem no dia seguinte, e por todos os outros dias.  

Hachiko morreu em 1935 e até hoje sua estátua está na estação de trem de Shibuya no local que, por toda vida, esperou pelo seu amigo.

Minha coluna é dedicada a lealdade e fidelidade dos animais retratada pela "lenda" do cão de Mozart e pela história real do cão da estação de Shibuya.

www.litoralmania.com.br
Edson Silveira Da Silva
edson.win@hotmail.com

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Mozart e Jackson


Mozart e Jackson07/07/2009


A enorme repercussão da morte de Michael Jackson e sua conturbada vida pessoal me levaram a escrever algumas linhas e considerações sobre duas histórias semelhantes, ocorridas em tempos distintos, mas muito significativas, de dois gênios da música.

MOZART (1756-1791)
Johann Wolfgang Amadeus Mozart é um dos mais conhecidos, e admirados, compositores clássicos e todos os tempos. Nascido em Salzburg, na Áustria, era filho de Leopold Mozart músico da corte de Salzburg, um pequeno estado semi-independente do Império Austríaco, e também um pai dominador e obstinado a enriquecer com o sucesso de seus dois filhos - dos sete que ele teve cinco não chegaram a idade adulta.

Maria Anna Walburga Ignatia, ou Nannerl, como era chamada em família, foi a quarta a nascer e desde cedo Leopold viu na pequena menina talento suficiente para que ela fosse mais do que ele mesmo era. Era a chance de triunfar, ou seja enriquecer, em uma época que os músicos ainda dependiam extremamente da aristocracia e da nobreza para sobreviverem.
Nannerl recebeu então estimada educação musical tendo já aos nove anos iniciado os estudos do cravo (o piano da época). Mas cinco anos após o nascimento de Nannerl veio ao mundo o menino destinado a dar imortalidade ao sobrenome Mozart.
JACKSON (1958-2009)
Durante as duas últimas semanas, tudo sobre Jackson já foi escrito ou dito, seja em jornais, internet ou TV. Então tudo que eu escrever aqui será mera repetição. Falar sobre Ben, Beat It, Billie Jean, Moonwalk, We are the World ou Thriller é desnecessário. O que eu gostaria de trazer aqui são as reflexões sobre o homem Michael Jackson.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Logo que se iniciaram na TV os programas que relembravam a carreira do cantor eu fiz associações com Mozart. Não a música, que é própria de cada um, mas de como o personagem, a máscara, que cada um criou para si eliminou o ser humano que havia dentro deles. Uma máscara criada por Mozart aos cinco e por Jackson aos onze anos.

Alguns diriam que isso faz parte, é o preço do sucesso. Mas será que o podemos exigir de alguém que troque sua vida, seu amadurecimento enquanto indivíduo, pelo “preço do sucesso”? Claro, ele próprio buscou o sucesso e o sucesso foi consequência de seu talento. Mas essa busca incessante é extremamente natural para quem nasce em uma sociedade que explora justamente o que não precisamos para viver, o estrelato. Alguns indivíduos sequer notam essa obsessão por dinheiro e fama, justamente porque existem aqueles que vivem da exploração. Os mesmos empresários que haviam abandonado o astro depois dos escândalos na última década retornaram agora para faturar sobre o mito que ele se transformou e o que ele ainda depois de morto pode vender. É de se perguntar hoje o quanto de verdade havia nos escândalos de pedofilia e o quanto havia de sensacionalismo. Uma coisa é certa havia, e muito, dinheiro envolvido.

E o sucesso, o mesmo que muitos almejam, com certeza não lhe trouxe felicidade. E Jackson sabia disso, ele escreveu sobre isso, ele cantou isso. Jackson era uma criança brincando de adulto, dentro do personagem que ele criou na infância e do qual jamais soube, ou conseguiu, se separar, ou porque não pôde ou porque não quis. Leopold Mozart, que vestia o filho de “homenzinho” aos cinco anos para os concertos nos castelos da nobreza no século XVIII foi imitado por Joseph B. Jackson que explorou os filhos como se mercadoria fossem, no século XXI. E contra o Jackson pai ainda recaem as acusações de abuso sexual, o que em parte também ajuda na compreensão do que Michael foi enquanto adulto.

Jackson, assim como Mozart, também foi um adulto problemático, traumático até, com uma constante necessidade de ser criança quando já não era mais tempo de ser criança. Neverland é a prova física disso. Ele tentava ser o que nunca pôde ser. No íntimo era alguém doente, nem de perto o personagem que encantava nos palcos.

Rodrigo Trespach
ler na íntegra http://www.litoralmania.com.br/colunas.php?id=1240

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